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Esperança

Estava em queda livre, os motores estavam falhando. Chance de parada, zero. Chance de conseguir desviar daquele planeta, zero. Alguma chance de sobrevivência? Espero que sim. Era uma batalha árdua, mas estávamos ganhando, isso que importava. Em uma guerra, baixas acontecem, não tem como evitar. Mas, porque logo eu? Não poderia ser outro piloto? Quase metade da minha nave estava em chamas. Não poderia pedir socorro no meio da guerra, quem ajudaria? Apenas um deles faria isso e, com certeza, eu levaria uma grande bronca.

"FALCO, VOCÊ ESTÁ AÍ? RESPONDA?".

"O que houve dessa vez, Fox?".

"To com um... Pequeno problema em minha nave".

"Pelo som que da pra ouvir com certeza não é um probleminha... Está caindo aonde desta vez?".

"Ahm... Num planeta".

"Aiai... To indo... Mas prepare-se para ouvir quando voltar".


Sabia que ele viria, nunca me deixou na mão. Já estava perto da atmosfera, daqui a pouco eu iria desintegrar caso ele não chegasse a tempo. A nave começou a girar, devido a gravidade, dava pra ver que Falco estava muito ocupado. Tinha três na cola dele. Será que ele ia conseguir? Aproveitei que ela tinha girado e comecei a atirar no inimigos, para tentar ajudá-lo. Acho que ele percebeu, começou a fazer manobras para eu tive uma mira melhor. Porém durante essa tentativa de ajudá-lo, Falco também foi atingido. Ou seja, agora estava tudo perdido. Eu já tinha aceitado a morte, não tinha mais o que fazer. A nave não respondia mais nenhum comando me... Espera, há mais uma saída para esta situação. Tem um botão que eu sempre quis apertar e agora era o tempo certo, era hora de ejetar.

Estava esperando a altura certa para apertá-lo. Faltando apenas 100 metros do solo, apertei o tão sonhado botão. Os vidros saíram voando numa velocidade imensa e, logo em seguida, eu. Era uma sensação muito boa e ruim ao mesmo tempo. Nunca tinha sido ejetado antes. Mas estava triste por ter sido "derrotado" em batalha. Para-quedas estava aberto, lentamente eu ia descendo. Pelo menos dava para aproveitar a vista enquanto eu descia. Ao fundo, avistei a nave de Falco caindo, ele ter ejetado também, mas não consegui ver seu para-quedas daqui. Aterrizei em uma área com muitas árvores. Não eram as mesmas árvores de meu planeta natal, elas eram muito mais largas e tinham folhas maiores também. Não percebi nenhum animal por perto. Eles devem ter fugido da explosão que a minha ocasionou. Mesmo no meio de tantas árvores, ainda conseguia ver a nave dele. Meu comunicador estava danificado, não dava para entrar em contato com a central. Era esperar pelo resgate e correr o risco de ser atacado por qualquer coisa que possa existir nesse planeta. Ou sair procurando o Falco e correr o mesmo risco no caminho. Uma escolha difícil. Vou atrás dele, tinha que fazer alguma coisa, ficar parado ali não iria adiantar em nada. Não tinha uma trilha pronta, tive que fazer minha própria trilha, ou seja, andar pela margem do rio. Pelo menos não tinha que ficar cortando galhos das plantas mais baixas. Estava tudo muito calmo, o que era um pouco estranho para um planeta que estava no meio de uma guerra. Onde vi isso mesmo? Chequei minha arma só para garantir. Dei uns tiros para cima. Está OK, pelo menos não será tão fácil assim me matar. Depois de algumas horas caminhando, resolvi sair da beira do rio, tinha uma cachoeira próxima. Ao entrar na mata fechada, consegui ver uma pequena vila. Fiquei atras de uma das enormes árvores. Nenhuma movimentação foi detectada. Estava com receio de ir em direção a vila. Mas estava com muita fome e levemente ferido. Precisava de algum medicamento. Decidido, vou entrar. Agora, armado ou não?

"Para com isso Fox, entra logo lá e procura alguma coisa útil".

Na ponta dos pés fui caminhando até uma das casas que tinha ali. A porta estava aberta. Acho que ele não tinham muitos ladrões ali por perto. Agora como saber o que era remédio e o que não era. Depois de muita procura, desisti. Fui até o centro da vila para ver se achava alguém. Haviam um pequeno grupo de seres ali no local, era hora da comunicação.

"Er.. Oi.. Será que poderiam me ajuda?".

Eles eram seres um pequenos, medindo mais ou menos um metro, verde escuros com círculos em verde claro. Face parecida com a humana, porém com o nariz mais achatado. Para minha surpresa, eles falam minha língua.

"Olá, você está ferido? Espere aqui, vou chamar ajuda".

Disse a pequena criaturinha, deve ser criança pela voz fina. Depois de um tempo chega a mãe. Incrivelmente da mesma altura e com um vestido meio velho e com uma voz um pouco mais feminina.

"Quem é você? E o que quer aqui?".

"Oi, meu nome é Fox. Minha nave caiu a alguns quilômetros daqui e estou precisando de ajuda. Estou meio, ahm, perdido sabe ?!".

"E como poderei confiar em você?".

"Faço parte da formação de Defesa Galáctica V". Mostro meu distintivo a ela.

"Você é algum general?".

"Bem... Não mas...".

"Ah, só mais um dos soldados, não oferece perigo nenhum. Venha comigo".

COMO ELA OUSA FALAR ASSIM COMIGO?! QUE FALTA DE NOÇÃO DE PERIGO, pensei.

"Obrigado, senhora. Posso saber seu nome?".

"Malpomb", disse rispidamente.

Após passar um algumas ataduras, ela preparou algo parecido com um xarope.

"Tome, vai aliviar suas dores".

Meio que desconfiado, mas tomei. Senti extremo sono de repente, ela estava armando pra mim?

"O que voc...".

Acordei estava escuro. Onde eu estava? Será que dormi por muito tempo? Fui raptado? Não sentia mais nenhuma dor em meu corpo. Caminha vagarosamente até o próximo cômodo. Ela estava sentada à mesa com os outro seres.

"Olá soldado Fox, deve estar com fome, sente-se jante conosco".

"Obrigado".

Não tinha noção do que era, mas estava com um cheiro muito bom. Tomei toda a sopa e, agora, era hora de algumas perguntas...

"Porque me ajudou? Eu poderia ter matado você".

"Nosso povo e a Defesa Galáctica fizeram um tratado a muitos anos atrás. Nosso planeta fica em uma região de muitas guerras e, vários soldados acabam sendo atingidos e caindo aqui".

"E o que damos em troca para vocês?".

"Apenas proteção, queremos paz, não somos um povo agressivo. Porém corremos riscos internos, que não compartilhamos com a DG V e estamos sofrendo com isso. Nossa população diminuiu muito nos últimos meses devido aos monstros que nos atacam".

"Algum motivo específico?"

"Sim".

"Qual?".

"Diversão".

Absurdo.

"Quando eles atacam".

"Toda primeira rotação da quarta lua".

"E quando começa essa rotação?".

"Em dois dias do seu planeta. Você pode nos ajudar?"

Eu deveria pelo menos tentar. Ela me curou, era o mínimo que eu podia fazer.

"Ajudarei, mas para isso, vou precisar de alguns equipamentos. Para começar, você teria algum comunicador?".

"Hm, acho que sim. Muitos soldados acabam não sobrevivendo às quedas. Então, acabo pegando algumas coisas que me são úteis. Tenho este aqui. Faz alguns anos, mas acho que ainda funciona".

Era um comunicador de um soldado de elite. Acho que consigo programar na mesma frequência do comunicador do Falco. Depois de muitas horas tentando fazê-lo funcionar, consegui ligar. Envie o comando de busca. Ia demorar para achar algo, mesmo sendo um soldado de elite, esse aparelho era antigo. Depois de muito esperar e explorar a vila, ouço um sinal. Tinha alguém perto de mim, quer dizer, pelo menos num raio de 20 quilômetros.

"FALCO, ESTÁ NA ESCUTA? CÂMBIO. TEM ALGUÉM AÍ???"

Após muitas tentativas de contato, ouço uma voz do outro lado..

"Fox? Fox!?"

Image from Deviantart, by Tumawruh, tumawruh.deviantart.com/

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